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Agência de aliado de Flávio Bolsonaro leva conta do Senado
Agência de aliado de Flávio Bolsonaro leva conta do Senado
Por Administrador
Publicado em 11/05/2026 13:59
POLITICA
Agência de aliado de Flávio Bolsonaro leva conta do Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve a pré-campanha citada, no sábado (9), numa reportagem do SBT News sobre a vitória da agência Calix numa conta de publicidade do Senado Federal estimada em R$ 90 milhões, num caso que cruza dinheiro público, comunicação institucional e disputa presidencial de 2026.

Segundo o SBT News, a Calix vai dividir o contrato com a Companhia de Comunicação e Publicidade. Cada empresa ficará com orçamento de R$ 45 milhões, em contrato com vigência inicial de um ano e possibilidade de prorrogação.

O ponto sensível está no nome de Marcello Lopes, dono da Calix. A reportagem afirma que ele é amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e conselheiro da pré-campanha do senador. A assessoria de Flávio negou relação entre o parlamentar e a licitação.

O Portal da Transparência do Senado confirma a Concorrência nº 1/2026, aberta em 3 de fevereiro, para contratação de duas agências de propaganda. O objeto inclui planejamento, criação, execução, intermediação, supervisão externa e distribuição de ações publicitárias a públicos de interesse.

O edital retificado informa que a disputa é presencial, do tipo melhor técnica, e cita a Lei nº 12.232/2010, que rege contratações de publicidade pela administração pública. O documento também prevê publicidade institucional, utilidade pública, ações digitais, produção de conteúdo e monitoramento de campanhas.

A própria regra do edital mostra onde mora o limite político do caso. O documento veda aplicação para fins eleitorais e proíbe matéria estranha ou sem pertinência temática com a ação de publicidade. Também exclui publicidade legal, assessoria de imprensa, relações públicas, pesquisa de opinião pública, patrocínio e eventos festivos.

Não há, nas informações públicas verificadas pelo Blog do Esmael, prova de favorecimento a Flávio Bolsonaro ou de uso eleitoral da conta do Senado. O fato confirmado é outro: uma agência de empresário apontado como próximo da pré-campanha do senador venceu uma disputa milionária para cuidar de comunicação institucional da Casa.

O Senado negou irregularidade e afirmou, segundo o SBT News, que o edital seguiu critérios técnicos. A assessoria de Flávio também declarou que a concorrência foi conduzida pela área técnica do Senado e não tem relação direta ou indireta com o senador.

A suspeita política, portanto, precisa ser tratada como suspeita. A pergunta é se há separação real, verificável e auditável entre a publicidade pública do Senado e a rede informal que começa a desenhar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

O incômodo cresce porque a contratação ocorre em ano eleitoral. A revista Veja já havia informado, em janeiro, que o Senado abrira processo para gastar R$ 90 milhões em propaganda no mesmo ano em que dois terços da Casa estarão em disputa nas urnas. O Senado disse, na ocasião, que a publicidade não envolveria promoção individual de senadores.

Para o contribuinte, o caso exige transparência sobre plano de mídia, peças, fornecedores, critérios de veiculação, relatórios digitais e fiscalização do contrato. Para o eleitor conservador, a conta pública encosta no ambiente de pré-campanha de Flávio Bolsonaro no momento em que o senador tenta se apresentar como herdeiro político nacional do bolsonarismo.

A Calix já vinha ganhando espaço em contas públicas. A Janela Publicitária informou que a agência liderou a classificação da Concorrência nº 001/2026 do Senado, com 92,7 pontos, à frente da CC&P, que somou 92,5. O mesmo texto registrou que a agência também havia conquistado conta da comunicação do governo de São Paulo.

O problema político para Flávio Bolsonaro nasce da coincidência entre proximidade pessoal, pré-campanha presidencial e dinheiro público em publicidade institucional. Coincidência pode ser apenas coincidência. Mas, em ano eleitoral, contrato de R$ 90 milhões exige parede alta entre comunicação pública e projeto de poder.

O Senado tem o dever de mostrar essa parede ao público, com documentos, execução transparente e fiscalização dura. Sem isso, a publicidade institucional corre o risco de virar munição eleitoral antes mesmo de produzir sua primeira campanha.

Flavio Bolsonaro e Jair Bolsonaro

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