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Cinco partidos costuram frente anti-Moro no Paraná
Cinco partidos costuram frente anti-Moro no Paraná
Por Administrador
Publicado em 20/04/2026 11:14
POLITICA
Cinco partidos costuram frente anti-Moro no Paraná

O encerramento da ExpoLondrina neste domingo (19) deixou um rastro político mais importante do que shows e leilões. Segundo apuração do Blog do Esmael, a feira virou ponto de partida de uma articulação de cinco partidos, Republicanos, MDB, União Brasil, Podemos e PP, para tentar redesenhar a centro-direita no Paraná contra o senador Sergio Moro (PL), que lidera as pesquisas para o governo estadual. A feira ocorreu de 10 a 19 de abril; Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, passou pelo evento na quinta-feira (16); e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, também circulou pelo evento.

A peça central dessa conversa é simples. Ratinho Junior (PSD) escolheu Sandro Alex (PSD) para o Palácio Iguaçu e Alexandre Curi (Republicanos) para o Senado, mas o arranjo ainda não pacificou a direita nem afastou o favoritismo de Moro. A Paraná Pesquisas divulgada na semana passada mostra Moro com 46,0% no principal cenário estimulado ao governo, bem à frente dos demais nomes testados. Ratinho oficializou Sandro e Curi em vídeo publicado em 14 de abril.

Foi nesse vácuo que a ExpoLondrina serviu de vitrine e sala de espera. Rueda chamou atenção porque comanda o União Brasil, partido que já oficializou federação com o PP, presidido por Ciro Nogueira. Hugo Motta entrou no radar porque preside a Câmara e é um dos principais quadros nacionais do Republicanos, legenda de Curi e de Marcos Pereira. Em reserva, segundo apuração do Blog do Esmael, os dirigentes que circularam por Londrina externaram forte resistência a Moro e passaram a discutir uma saída comum para evitar que o senador chegue à reta final sem adversário competitivo no mesmo campo ideológico.

A articulação relatada ao Blog do Esmael prevê um encontro em Brasília dentro de cerca de 15 dias. A ideia é reunir Rueda, Motta, Baleia Rossi (presidente nacional do MDB), Ciro Nogueira, Renata Abreu (presidente nacional do Podemos) e Marcos Pereira (presidente nacional do Republicanos), ao lado de Rafael Greca (MDB) e Alexandre Curi.

O objetivo desse bloco, segundo a apuração, seria levar a Ratinho uma proposta de substituição da fórmula Sandro Alex por uma chapa Rafael Greca-Alexandre Curi, ou Alexandre Curi-Rafael Greca. Nesse desenho, caberia ao governador indicar as duas vagas ao Senado. A lógica é política e eleitoral: preservar Ratinho como coordenador do campo, reduzir a dispersão da centro-direita e tentar montar um palanque mais robusto contra Moro antes das convenções, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, com registro das candidaturas até 15 de agosto.

A conta por trás da proposta é conhecida nos bastidores do Paraná. Greca segue em circulação e mantém a pré-candidatura pelo MDB. Curi recuou do governo para aceitar o Senado, mas continua sendo peça central do xadrez estadual. Em Londrina, os dois nomes seguem puxando atenção em mesas, corredores e encontros reservados. A leitura do grupo que tenta costurar a coalizão é que Sandro Alex ainda não demonstrou, até aqui, força suficiente para fechar a porta de uma reengenharia do bloco governista.

Ratinho mexe no governo e flerta com Moro
Centro-direita cogita palanque duplo para Flávio Bolsonaro no Paraná.

Há ainda um capítulo mais delicado nessa conversa. Segundo a apuração do Blog do Esmael, se Ratinho topar um redesenho da chapa no Paraná, sobraria a ele a tarefa de coordenar no estado a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Nos bastidores, até cargos federais e influência sobre estruturas estratégicas, como Itaipu, aparecem como moeda de convencimento. Esse pedaço da articulação, porém, segue no terreno mais especulativo da negociação e depende de acordos que ainda não estão fechados.

Nada disso muda o quadro do campo lulista. Gleisi Hoffmann (PT) segue no radar do Senado e Requião Filho (PDT) continua como nome ao governo na faixa progressista, alinhada ao palanque do presidente Lula no Paraná. Gleisi já foi apontada como pré-candidata ao Senado após pedido de Lula, e ela mesma reforçou publicamente o apoio a Requião Filho na disputa estadual.

A política paranaense, portanto, entrou numa fase de placas tectônicas. Ratinho anunciou Sandro, mas a escolha não sepultou alternativas. A ExpoLondrina mostrou que a centro-direita continua negociando o próprio futuro, e a ideia de uma coalizão anti-Moro já está em marcha, ainda que longe de qualquer desfecho garantido. O combinado final, como sempre, ainda precisa passar pelo crivo dos partidos, das convenções e, por último, dos eleitores.

Nos bastidores da política a pergunta que se faz não é se haverá substituição, mas se Sandro Alex resistirá até a Expo Maringá, que será realizada entre 7 e 17 de maio.

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