A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, por ordem do ministro André Mendonça, já frita em fogo brando o grupo político de Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Celina Leão (PP-DF) no Distrito Federal. O escândalo do Banco Master saiu da página policial, entrou na sucessão de 2026 e passou a corroer, por dentro, o discurso de estabilidade do governo local.
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sustenta que Costa participou de um esquema para fabricar, vender e transferir carteiras de crédito fictícias do Master ao BRB. A investigação atribui a ele o acerto de R$ 146,5 milhões em propina imobiliária com o banqueiro Daniel Vorcaro, dos quais ao menos R$ 74 milhões já teriam sido rastreados pela Polícia Federal (PF). O advogado Daniel Monteiro também foi preso na mesma fase da operação.
O ponto mais sensível para Brasília é que a apuração não foi encerrada com essa prisão. A própria PF disse que a nova etapa da Operação Compliance Zero mira corrupção de gestores das instituições envolvidas e lavagem de dinheiro, o que mantém aberto o risco de o caso subir mais degraus no entorno político e financeiro do banco público. A Segunda Turma do STF começa a julgar na quarta-feira (22) se mantém a prisão de Costa.
O estrago não é só criminal. O BRB, controlado pelo governo do DF, não publicou o balanço de 2025 no prazo porque ainda depende de um pente-fino nas contas ligado às operações com o Master. Em paralelo, negocia a venda de cerca de R$ 15 bilhões em ativos herdados dessa crise, enquanto a Câmara Legislativa cobra explicações sobre o rombo e a confiança no banco segue abalada.
Na política, a fervura já apareceu. Celina Leão, hoje governadora do Distrito Federal, tenta se descolar politicamente de Ibaneis Rocha e do desgaste do BRB/Master, enquanto fala em ‘nova gestão’. A oposição percebeu a brecha e o PL já avisou que pretende explorar eleitoralmente o caso no Distrito Federal.
A sucessão que parecia arrumada no começo do ano virou terreno instável. Bastidores mostraram que o caso Master embaralhou o plano de Ibaneis para o Senado e contaminou o ambiente da candidatura de Celina ao governo, porque o BRB deixou de ser ativo político e virou passivo eleitoral.
A defesa de Paulo Henrique Costa nega crime. Os advogados de Ibaneis dizem que ele não interferia nas operações entre BRB e Master. Celina, por sua vez, tentou separar a crise do banco da responsabilidade do governo. O problema é que, em banco público, a fronteira entre gestão financeira e dano político nunca fica limpa por muito tempo.
Por isso o caso BRB/Master continua em fase explosiva. A prisão de Paulo Henrique Costa não fechou a crise, apenas empurrou a investigação para mais perto do coração do poder brasiliense, onde banco público, sucessão eleitoral e cadeia de comando costumam se misturar rápido demais.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder.
PF prende Paulo Henrique Costa e caso BRB/Master explode no DF. Foto: divulgação
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