Pesquisa Atlas mostra Lula favorito e direita refém de Bolsonaro
Lulalidera todos os cenários testados para a eleição presidencial de 2026 e começa o ano pré-eleitoral como favorito, segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que será divulgada oficialmente nesta quarta-feira (21), mas que o Blog do Esmael antecipa com exclusividade mais uma vez.
O levantamento confirma uma tendência que já circula nos bastidores de Brasília. O presidente mantém vantagem estrutural enquanto a oposição patina, dividida entre a dependência do bolsonarismo e a incapacidade de construir uma alternativa eleitoral viável fora dele.
Lula lidera a disputa presidencial de 2026. Foto: reprodução/Atlas
Lula mantém vantagem consistente
Nos cenários de primeiro turno com Lula candidato, o presidente aparece sempre próximo ou acima de 48% das intenções de voto. A dianteira se mantém estável quando o adversário é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).
Mesmo nos testes em que Bolsonaro e Tarcísio ficam fora da disputa, Lula amplia a vantagem, beneficiado pela fragmentação do campo conservador.
Direita segue dependente do bolsonarismo
Flávio Bolsonaro é o nome mais competitivo da direita nos cenários testados, mas ainda assim aparece bem atrás de Lula. Seu desempenho cresce sobretudo entre eleitores fiéis ao bolsonarismo e segmentos evangélicos.
Tarcísio de Freitas, apesar da boa avaliação administrativa em São Paulo, não consegue transbordar sua imagem para o plano nacional. Michelle Bolsonaro repete o padrão, com apoio concentrado e rejeição elevada fora do núcleo ideológico.
O quadro revelado pela Atlas é simples e incômodo. Sem Bolsonaro, a direita se esfarela. Com Bolsonaro, carrega um teto eleitoral rígido.
Flavio Bolsonaro é o candidato que mais se aproxima de Lula, segundo a pesquisa. Foto: reprodução/Atlas
O paradoxo Ratinho Júnior e o eleitor que não larga Bolsonaro
A pesquisa ainda joga luz sobre a hipocrisia elegante que ronda a pré-campanha de parte da direita. No cenário de repetição de 2022, Jair Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula, mesmo preso e afastado do jogo institucional. O dado é devastador para quem tenta posar de alternativa limpa ao bolsonarismo.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), é o caso mais emblemático. Enquanto ensaia uma pré-candidatura nacional cuidadosamente distante do ex-presidente, a Atlas lembra um fato elementar da política brasileira. Bolsonaro, mesmo encarcerado, continua sendo o grande eleitor da oposição.
Sem ele, a direita vira pó. Com ele, carrega rejeição. O problema de Ratinho e de seus aliados não é moral, é aritmético. O eleitor conservador ainda atende pelo nome Bolsonaro. Fingir o contrário pode aliviar constrangimentos de Brasília, mas não entrega votos. Em política, quem tenta subir a rampa sem o próprio eleitor costuma escorregar antes do primeiro turno.
Bolsonaro continua sendo o grande eleitor da direita, segundo a Atlas. Foto: reprodução
Segundo turno confirma favoritismo de Lula
Nos cenários de segundo turno, Lula vence todos os adversários testados pela Atlas. A vantagem é sustentada principalmente entre mulheres, eleitores de baixa renda, Nordeste e eleitores que votaram no petista em 2022.
A oposição mantém força entre homens, Sudeste e eleitores de renda média e alta, mas insuficiente para reverter o placar em confrontos diretos.
Lula lidera o segundo turno, segundo a pesquisa Atlas. Foto: reprodução
Metodologia e robustez do levantamento
A pesquisa ouviu 5.418 eleitores em todo o país, entre 15 e 20 de janeiro de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
O método Atlas RDR, de recrutamento digital aleatório, busca reduzir vieses comuns em levantamentos presenciais e telefônicos, garantindo maior anonimato ao entrevistado. O estudo está registrado no TSE sob o número BR-02804/2026.
A eleição começa com favorito e oposição sem rumo
A AtlasIntel/Bloomberg confirma o que já se desenha no radar político. Lula chega a 2026 com desgaste natural de governo, mas sem um adversário unificado do outro lado. A direita segue presa ao bolsonarismo, mesmo quando finge superá-lo. O centro-direita continua à procura de um rosto que dialogue com o eleitor popular.
Enquanto a oposição debate como escapar do próprio passado, o presidente administra o tempo. Em eleições nacionais, tempo é poder.
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