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Pesquisas quebram mito de que direita domina o Sul
Pesquisas quebram mito de que direita domina o Sul
Por Administrador
Publicado em 22/07/2026 13:49
POLITICA
Pesquisas quebram mito de que direita domina o Sul

A Paraná Pesquisas colocou Luciano Zucco (PL) com 34,2% e Juliana Brizola (PDT) com 30,1% na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, 22 de julho. A diferença está dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, enquanto Manuela D’Ávila (PSOL) lidera numericamente a corrida ao Senado. Os números, somados à recuperação nacional de Lula (PT) e ao avanço de Requião Filho (PDT) no Paraná, derrubam a tese de que a direita possui escritura eleitoral da região Sul.

O levantamento gaúcho ouviu presencialmente 1.500 eleitores entre 16 e 19 de julho, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RS-09313/2026. Gabriel Souza (MDB) aparece com 13%, Marcelo Maranata (PSDB) registra 4,7%, enquanto Priscila Voigt (Rede) e Rejane de Oliveira (PSTU) têm 0,9% cada uma.

O resultado não permite declarar Juliana Brizola classificada para o segundo turno. Zucco conserva a liderança numérica, mas a vantagem de 4,1 pontos pode ser anulada pelo intervalo da margem de erro dos dois candidatos. O dado confirmado é outro: uma candidatura progressista disputa a primeira posição no sexto maior colégio eleitoral do país.

Na corrida pelas duas cadeiras gaúchas no Senado, Manuela D’Ávila aparece numericamente à frente, com 30,7%. Marcel Van Hattem (Novo) tem 28,6%, Germano Rigotto (MDB) registra 26,3%, Paulo Pimenta (PT) soma 23,7% e Sanderson (PL) marca 20,3%.

Manuela, Van Hattem e Rigotto estão tecnicamente empatados. Paulo Pimenta também permanece competitivo na disputa por duas vagas, situação que oferece ao campo progressista a possibilidade de eleger mais de um representante. A Paraná Pesquisas mostra ainda que 76,5% dos entrevistados não citaram espontaneamente um nome para o Senado, sinal de que a corrida continua aberta.

Os números gaúchos integram um movimento maior. Levantamentos nacionais divulgados desde abril registraram crescimento de Lula e perda de vantagem de Flávio Bolsonaro. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg realizada de 26 a 30 de junho, por exemplo, apontou Lula com 48,8% e Flávio Bolsonaro com 42,3% num eventual segundo turno nacional. Em abril, os dois estavam tecnicamente empatados.

A nova rodada da Indexa, divulgada em 21 de julho, reforçou a mudança: Lula marcou 41% no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores de 16 a 20 de julho, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-04203/2026.

Essas medições não autorizam afirmar que Lula já venceu a disputa no Sul ou virou o resultado especificamente no Paraná. Os institutos adotam metodologias, amostras e períodos diferentes. Eles demonstram, no entanto, que o presidente recuperou competitividade e ultrapassou a barreira dos 40% em recortes regionais recentes, enquanto o bolsonarismo deixou de caminhar sem adversário.

No Paraná, a disputa pelo Palácio Iguaçu também desmente a tese de um campo progressista irrelevante. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 7 de julho mostrou Sergio Moro (PL) com 39,9% e Requião Filho com 21,1%. Na rodada anterior, Moro tinha 42,3% e o candidato do Partido Democrático Trabalhista marcava 19,9%.

A diferença entre os dois caiu de 22,4 para 18,8 pontos. Moro permanece como favorito e Requião Filho ainda está longe de ameaçar sua liderança, mas o pedetista consolidou a segunda posição e ganhou terreno. O dado mantém aberta a disputa pelo segundo turno e frustra a expectativa de que Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), herdaria automaticamente a máquina estadual.

A recuperação de Lula pode beneficiar Requião Filho ao oferecer palanque nacional, militância organizada e tempo político para confrontar o voto útil em Moro. Essa transferência, porém, não é automática. Eleições estaduais possuem alianças, rejeições e interesses próprios, e o desempenho presidencial não substitui a construção de uma candidatura ao governo.

A história eleitoral também contraria a tentativa de apresentar o Paraná como conservador por natureza. Roberto Requião foi eleito governador três vezes e senador da República em duas ocasiões. A biografia mantida pelo governo paranaense registra seus mandatos no Palácio Iguaçu entre 1991 e 1994 e de 2003 a 2010, além da passagem pelo Senado entre 1995 e 2002. Ele retornou à Casa em 2011 para um segundo mandato.

Requião construiu essa trajetória com a defesa do Estado, das empresas públicas, da soberania nacional e de políticas sociais. Seu perfil progressista e a oposição à velha direita demonstram que esse campo possui base eleitoral, memória e capacidade de vencer no Paraná. Não se trata de uma presença importada para a eleição de 2026.

E o que dizer de Gleisi Hoffmann (PT)? Eleita senadora pelo Paraná em 2010, ela volta a aparecer no pelotão de frente da disputa por uma das duas vagas ao Senado em 2026. Sua competitividade reforça a presença do campo progressista no estado e enfraquece a tese de que o eleitorado paranaense teria fechado as portas à esquerda. O resultado ainda não antecipa vitória, mas confirma que Gleisi reúne lembrança eleitoral, estrutura partidária e densidade política para disputar uma cadeira até outubro.

Curitiba abriu em 12 de janeiro de 1984 um dos primeiros grandes atos da campanha das Diretas Já. A capital também participou das mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor, em 1992, e quase elegeu Angelo Vanhoni (PT) prefeito em 2000. Cássio Taniguchi (PFL) venceu aquele segundo turno com 51,48%, contra 48,52% do petista.

O Partido dos Trabalhadores também governou cidades estratégicas do interior. Nedson Micheleti foi prefeito de Londrina por dois mandatos, José Cláudio Pereira Neto comandou Maringá e Péricles de Holleben Mello administrou Ponta Grossa. Nenhum desses resultados transforma o Paraná num estado de esquerda, mas todos impedem que sua história seja reduzida ao bolsonarismo ou à Lava Jato.

Há sinais, fortes sinais, como diria Eymael, de uma marcha progressista no Sul. O avanço ainda não configura uma virada consumada. Mostra que Lula voltou ao jogo, Juliana Brizola ameaça a liderança de Zucco, Manuela D’Ávila encabeça numericamente a corrida ao Senado e Requião Filho preserva um caminho para o segundo turno no Paraná.

A direita continua forte, reúne máquinas partidárias e lidera disputas importantes. O que perdeu foi o direito de tratar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul como propriedade política registrada em cartório.

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