A divulgação da pesquisa eleitoral do Instituto IRG em parceria com o IPARDES movimentou os bastidores da política paranaense. O motivo não foi apenas o resultado, mas principalmente um dado que chamou a atenção de lideranças políticas e observadores do cenário estadual: o levantamento foi o único, até o momento, a apontar um crescimento significativo de Sandro Alex Pedágio PSD na corrida pelo Governo do Paraná.
A divulgação ocorre justamente no momento em que veio a público a existência de um contrato de aproximadamente R$ 583,8 mil entre o IPARDES e o Instituto IRG, para a realização de "pesquisas" relacionadas à avaliações de serviços públicos estaduais.
Segundo o extrato publicado oficialmente, o contrato tem como objeto "pesquisas" de percepção sobre serviços de saúde e segurança, sem relação direta com levantamentos eleitorais.
Ainda assim, a coincidência entre a publicação do contrato e a divulgação da pesquisa eleitoral abriu espaço para questionamentos no meio político.
Afinal, quando um instituto que mantém contrato com um órgão ligado ao Governo do Estado divulga números que beneficiam o nome associado ao grupo governista, é natural que surjam dúvidas e cobranças por transparência.
Não há, até o momento, qualquer prova de irregularidade na pesquisa ou no contrato firmado. Porém, a "credibilidade" é próximo de 0%, um levantamento eleitoral depende não apenas da metodologia adotada, mas também da confiança pública na independência de quem produz os números.
As perguntas que ficam são simples:
1 - A pesquisa revelou uma tendência que os demais institutos ainda não enxergaram ou apresentou um retrato que merece uma análise mais aprofundada por parte da opinião pública?
2 - Pesquisa eleitoral com dinheiro público pode?
