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Requião cobra Moro sobre áudios de Flávio Bolsonaro
Requião cobra Moro sobre áudios de Flávio Bolsonaro
Por Administrador
Publicado em 14/05/2026 14:46
POLITICA
Requião cobra Moro sobre áudios de Flávio Bolsonaro

O deputado estadual Requião Filho (PDT) cobrou nesta quinta-feira (14) um pronunciamento público do senador Sergio Moro (PL-PR) sobre os áudios e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil que ligam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na busca de dinheiro para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos pela trama golpista.

A cobrança mira o ponto mais sensível da nova aliança de Moro no Paraná: o discurso anticorrupção. Requião Filho publicou no Instagram que aguarda a manifestação do ex-juiz sobre seus “antigos/novos aliados” e afirmou que a transparência é a ferramenta mais eficaz contra a corrupção.

No vídeo, Requião Filho reproduz a frase atribuída a Flávio Bolsonaro em mensagem a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Entre nós, não tem meia conversa”. O Intercept informou que a mensagem foi enviada em 16 de novembro de 2025 e que integra registros sobre uma negociação de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para bancar a produção cinematográfica.

A reportagem do Intercept diz que documentos e mensagens indicam ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações ligadas ao filme. O site também afirmou que não há evidências, nas mensagens, de que Vorcaro tenha feito os demais pagamentos previstos.

Flávio Bolsonaro negou ilegalidade. O senador afirmou que se tratava de patrocínio privado para um filme privado, sem dinheiro público, sem oferta de vantagem ilegal e sem intermediação de negócios com o governo.

A defesa não encerrou a crise política. O mercado reagiu à notícia na quarta-feira (13), com queda do real e da Bolsa, enquanto operadores avaliavam o impacto do caso na corrida presidencial de outubro. Flávio Bolsonaro confirmou que Vorcaro havia aceitado financiar o filme, mas classificou o acordo como patrocínio privado.

É nesse ponto que Requião Filho tenta empurrar Moro para o centro do caso. O senador paranaense se filiou ao PL em março para disputar o governo do Paraná e, no ato de filiação, dividiu palanque com Flávio Bolsonaro. A mudança marcou a reaproximação de Moro com o bolsonarismo depois do rompimento com Jair Bolsonaro em 2020.

Na filiação de Moro ao PL, Flávio Bolsonaro falou da importância do Paraná para seu projeto presidencial e destacou parceria com o senador na Comissão de Segurança Pública do Senado. Na mesma solenidade, Moro disse que o Paraná não faltaria ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

A pergunta de Requião Filho, portanto, não é lateral. Ela pressiona Moro a aplicar ao novo aliado o mesmo padrão público que cobrou de outros personagens no caso Master. Em março, Moro defendeu a prisão preventiva de Vorcaro e afirmou que “ninguém em uma República deve estar acima da lei”.

No Paraná, a cobrança tem efeito eleitoral direto. Moro aparece como pré-candidato competitivo ao Palácio Iguaçu. Levantamento Paraná Pesquisas divulgado pelo Blog do Esmael em 11 de maio apontou o senador com 42,6% das intenções de voto no principal cenário estimulado, contra 19,7% de Requião Filho e 16,3% de Rafael Greca (MDB).

Requião Filho tenta converter a crise nacional do Banco Master em uma pergunta local: qual é o limite da aliança de Moro com o bolsonarismo quando a suspeita encosta no entorno de Flávio Bolsonaro? A resposta interessa ao eleitor que viu o ex-juiz construir carreira política com o discurso de combate à corrupção.

A cobrança também separa os campos do debate. O fato confirmado é a divulgação de mensagens, áudios e documentos pelo Intercept. A declaração atribuída é a fala de Requião Filho nas redes. A defesa de Flávio Bolsonaro é que o dinheiro seria privado e sem contrapartida. A hipótese política é que o caso desgaste o palanque bolsonarista no Paraná.

Moro pode ignorar Requião Filho, mas não consegue apagar a contradição pública que a cobrança explora. O senador paranaense entrou no PL para herdar o eleitorado bolsonarista no Estado; agora, terá de decidir se fala sobre Flávio Bolsonaro com a mesma régua que usa contra Vorcaro.

Continue acompanhando os bastidores da política.

 

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