Os movimentos dos últimos dias no tabuleiro político paranaense espraiaram desconforto para muitos municípios do Estado, apesar de as eleições deste ano serem apenas para governador, deputado (estadual e federal), senador e presidente da República. E o caso mais emblemático é o que envolve os mais de 50 prefeitos que integram os quadros do PL, partido que terá o senador Sergio Moro como candidato a governador por força de uma articulação do presidenciável Flávio Bolsonaro.
As bases do PL paranaense sempre estiveram muito ligadas a Ratinho Junior, que, dentre outras razões, desistiu de concorrer à Presidência da República justamente para poder se dedicar inteiramente à eleição de seu sucessor no Governo do Paraná. Essa identificação, que já vem há bastante tempo, é o primeiro grande problema que Moro e o novo presidente estadual do partido, Filipe Barros, terão de superar para não ver o partido minguar às vésperas do início da campanha eleitoral.
Após renunciar à presidência estadual, o deputado federal Fernando Giacobo convocou para esta quinta-feira (26), em um hotel de Curitiba, um encontro que deverá ser marcado por uma desfiliação em massa de prefeitos. “Essa é uma decisão pensada com responsabilidade e com um objetivo claro: manter firme o nosso apoio ao governador Ratinho Jr e seguir trabalhando pelos municípios do nosso Estado”, antecipou ele ao convocar essa reunião.
No início da tarde desta quarta-feira (25), Renato Silva confirmou que irá para Curitiba participar do encontro e que seguirá o que está previamente delineado. “Por uma questão de lealdade política, vou continuar fazendo parte do grupo do governador Ratinho Junior”, disse o prefeito cascavelense, ressaltando que, uma vez fora do PL, não precisará ter pressa alguma para escolher um novo partido.
Situação idêntica é vivida pelos prefeitos de outras cidades importantes do Paraná, como Guarapuava, Araucária, Pato Branco, Matinhos e Rolândia. O caso de Foz do Iguaçu é parecido, mas deverá ter desfecho diferente uma vez que o prefeito Joaquim Silva e Luna tem ligações estreitas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, por quem foi nomeado diretor-geral brasileiro da Itaipu.
MORO REAGE
Com vistas a evitar uma debandada mais expressiva, Moro já definiu que irá intensificar as reuniões políticas para, ao lado de Filipe Barros, manter o máximo possível não só de prefeitos, mas também de vereadores no PL, devendo contar para isso com o apoio também do candidato a vice Edson Vasconcelos, empresário cascavelense que ganhou grande projeção estadual como presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). A preocupação é proporcional à importância de cada Município, mas já há um entendimento de que não será possível impedir que ao menos 30% dos prefeitos liberais irão trocar de sigla. (Foto: Reprodução Instagram)