Número de vítimas de abusos cometidos por padre e arcebispo aumenta, diz PCPR
Número de vítimas de abusos cometidos por padre e arcebispo aumenta, diz PCPR
Por Administrador
Publicado em 30/08/2025 10:44
GERAL
Número de vítimas de abusos cometidos por padre e arcebispo aumenta, diz PCPR

Além disso, o padre é suspeito ter o seu carro envolvido em um atropelamento com morte na cidade de Cascavel, no Oeste do Paraná

 

13 vítimas foram ouvidas por supostos abusos cometidos por padre e arcebispo

 Ao todo, o número de vítimas de supostos abusos sexuais cometidos pelo padre, Genivaldo Oliveira dos Santos, e o arcebispo, Dom Mauro Aparecido dos Santos, aumentou para 13 pessoas. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Paraná de Cascavel, no Oeste do Paraná, nesta sexta-feira (29).

 

O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) informou que, nos dias 28 e 29 de agosto de 2025, foram ouvidas 13 pessoas na investigação que apura os abusos que teriam sido cometidos pelo padre e arcebispo.

 

Além dele, segundo o NUCRIA, “duas dessas pessoas foram identificadas como vítimas de assédio sexual praticado pelo falecido bispo Dom Mauro, enquanto as demais prestaram depoimento como testemunhas que convivem ou conviveram com o padre”.

 

Na próxima semana, serão ouvidas mais sete pessoas. Entre elas estão “duas vítimas do sacerdote investigado – uma já conhecida, mas ainda não ouvida, e outra identificada durante as diligências dos últimos dois dias – além de cinco testemunhas”.

 

Com os novos depoimentos, o número de vítimas confirmadas de Dom Mauro passou de uma para três. Já em relação ao padre investigado, o total de vítimas reconhecidas subiu de sete para oito.

 

O NUCRIA também destacou que “a vítima de estupro de vulnerável ocorrido em 2008, quando tinha 3 anos, não está contabilizada entre as vítimas de Dom Mauro, já que ainda não há elementos que permitam confirmar essa ligação”.

 

As investigações continuam sob sigilo, com proteção garantida às vítimas e testemunhas.

 

Saiba quem é o padre preso suspeito de abusos

O padre que foi preso em Cascavel suspeito de abusar sexualmente de jovens e adolescentes foi identificado como Genivaldo Oliveira dos Santos, de 41 anos. Ele foi detido durante a operação “Lobo em Pele de Cordeiro” no último domingo (24).

 

Ao todo, o católico trabalhou como sacerdote há 12 anos em diversas cidades do Oeste do Paraná. Durante esse tempo, Genivaldo teria abusado de ao menos oito vítimas, todos adolescentes de famílias carentes e que participavam de projetos da Igreja.

 

Segundo a investigação, o padre que foi preso em Cascavel era conhecido por ter um “padrão de comportamento predatório” desde a época em que ainda estava no seminário. Em 2010, ele teria tentado violentar outro seminarista.

 

A PCPR também identificou irregularidades na gestão financeira na paróquia onde o religioso atuou até 2024. Além disso, também foi descoberto que Genivaldo oferecia “terapias” em um consultório próprio, ato considerado exercício ilegal de medicina.

 

Padre que foi preso em Cascavel teve abusos acobertados durante anos

A investigação da PCPR também apontou que o antigo arcebispo de Cascavel, Dom Mauro Aparecido dos Santos, acobertou os abusos sexuais cometidos pelo padre. De acordo com a delegada Thais Zanatta, Mauro teria protegido Genivaldo até sua morte, em 2021.

 

“Ele acabou passando pano para esses abusos cometidos por esse seminarista. Eles tinham um vínculo bem próximo e há relatos que esse arcebispo cometia assédios contra outros seminaristas, inclusive dentro da cúria”, explicou a delegada.

 

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Padre seria proprietário de carro envolvido em acidente com morte

Genivaldo Oliveira dos Santos também é suspeito de ser proprietário de um carro envolvido em um atropelamento com morte. O motorista que conduzia o veículo ainda não foi identificado.

 

Padre suspeito de abusos durante missa

Genivaldo era padre de uma paróquia na cidade de Cascavel (Foto: reprodução / RICtv)

Conforme informações apuradas pela RICtv Oeste, o acidente aconteceu em 12 de outubro de 2019, na Rua Panamá, próximo à Rua Florêncio Galafassi, no bairro Periolo, em Cascavel. Luis Edimar, de 30 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico grave após ser atingido pelo carro. Equipes do Siate foram acionadas, mas apenas constataram a morte.

 

Na saída da delegacia, a mãe da vítima, Neusa falou rapidamente com a imprensa. Segundo ela, seis anos após o caso, as investigações sobre o atropelamento com morte foram iniciadas.

 

“Meu filho morreu igual a um cachorro. Até hoje ninguém fez nada, agora que o delegado vai começar a investigar”, disse Neusa.

 

O motorista realizou o teste do bafômetro, com resultado negativo. Desde então, a família afirma não ter recebido respostas sobre as circunstâncias do atropelamento.

 

Advogado nega que vereador auxiliou padre

O veículo foi encontrado posteriormente na residência do padre Genivaldo Oliveira dos Santos. Novas testemunhas foram chamadas a depor, incluindo pessoas que teriam presenciado o atropelamento, policiais que participaram do atendimento e o vereador Sidney Mazutti, que segundo a família da vítima, teria sido flagrado no local do acidente para ajudar o amigo Genivaldo. O advogado nega a informação.

 

“De forma espontânea, ele deu suas versões dos fatos. Essa versão de que o senhor Mazutti teria ido até o local do acidente, de alguma forma, feito algum ato, evitando a investigação, não procede. […] No dia do acidente, quem praticou o acidente foi devidamente identificado e foi preso. A autoridade policial esteve no local, houve isolamento no local para averiguar a situação que ocorreu o acidente, foi identificado o proprietário do carro, o condutor do veículo e adotada as medidas naquele momento”, disse o advogado do vereador.

 

Ainda, conforme o advogado, o padre tinha amizade com Mazutti.

 

“Ele frequentava, era confidente do padre, confessava e participava das missas. Não só com esse padre, mas com os antecessores dele. Então, ele estava semanalmente participand

o das atividades da igreja local”, complementou.

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